"É sistemático. Coloco a chave na fechadura da minha porta. Olho para trás. Aceno. Sorrio. Entro no prédio. Estou segura. Sou feliz. É incrível como me vem sempre essas mesmas duas ideias à mente. É tudo um pouco diferente. É tudo muito complexo. O meu corpo é incontrolavelmente invadido por inúmeras sensações e percepções. Demoro meio minuto, se tanto, até chegar ao sexto andar, onde vivo. Penso, por norma, sempre o mesmo. O quanto o quero. O quanto o amo. A segurança que me transmite, e a paz com que me deixa.. Meio minuto, torna-se interminável. Da para tudo. Recordo, em questões de clichet de memoria, tudo. Dês do inicio, até ao fim. Como avassalador foi tudo, como complicado o foi. O que passei, o que ele passou, o que sempre, e sempre juntos passamos.
Hoje, faria tudo igual. Repetia cada gesto, cada atitude, cada olhar que se cruzava em silêncio. Iria de novo contra protocolos de vida estipulados, surpreendendo o mundo, e desiludindo provavelmente outros tantos, menos importantes. Só impunha um critério essencial, que o "final" de tudo, fosse o mesmo. Ele. Eu. Nos. "
Margarida Reis
Elvas, 30 de Junho de 2011, 01:31
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