sábado, abril 28

como calha

Às vezes penso nisso. Sim penso. Digo sem problema algum. Penso na nossa casinha. A sério, o eu que dava para estar deitadinha. Deitada e bem deitada. Apenas ouvir a porta da rua a bater lentamente. E eras tu que chegavas. Tu e esse teu cansaço depois de uma larga noite de trabalho. Por alguns minutos deixava de te ouvir de novo, enquanto apenas ouvia a porta da casa de banho a fechar, e o som do interruptor da luz a ser desligado. Despias-te rápido. Tu essa mania de dormir sem pijama apresentável. Aquela t-shirt que bem calha e umas calças de um pijama qualquer antigo. Apenas te sinto entrar. Delicadamente na cama, para não me acordares. Sabes que fico rabugenta. E ali estamos então. Finalmente. Na nossa cama. Não acontece nada de especial. Afinal de contas são assim quase todos os dias. Apenas me beijas suavemente, sem grande gosto ou brusquidão. Apenas um “querida, cheguei” – como se eu não te tivesse sentido chegar desde o primeiro instante em que a chave se adaptou a fechadura da porta de casa. Da nossa casa.. 

domingo, abril 8

Dizem..

Dizem ser verdadeiros, dizem amar, dizem ser sinceros, dizem cumprir promessas, dizem que se importam, dizem estar aqui para sempre, dizem (...) apenas dizem..

Sumol Snowtrip 2012

Epá podia dizer tanta mas tanta coisa. Contar tudo pormenor a pormenor. Tentar descrever cada sensação que senti, cada gesto, olhar. Passar a escrever tudo o que vi, falei e ouvi. Mas não. Há coisas que não se explicam. Sensações que não se descrevem, e conversas que não se contam. Passou tudo a correr. Os dias pareciam flechas, tal como a adrenalina que se apoderava de corpo para corpo. A altitude tornava-se evidente em cada brinde que todos juntos fazíamos e o álcool, em vez de se fazer sentir goela a baixo, mais parecia ser cabeça a cima, mas não era por isso que o juízo se ia embora, apenas abria portas ao belo do bom humor. As noites mal dormidas em sofás, ou até mesmo em beliches partilhados, compensavam tudo o que eram quedas mal dadas, cabeças partidas, noites carregadas de boa musica e danças estranhas. A confiança e amizade que se criou em 7 dias é inexplicável ao ponto de ser traduzida por palavras, ou até mesmo fotografias. Tudo era motivo para sorrir. As gargalhadas acompanhavam nos 24h por dia, quiçá mais. O mau humor matinal ou até mesmo o nocturno provocado pelo cansaço, não era olhado de lado, era visto de uma maneira cliché, de modo até dele, se poder tirar partido para rir. As mini quezílias, não faltaram. Mas não foi por ai que tudo se pegou ou começou à batatada. O espirito era maior que isso tudo, e mesmo em pequenos desajustes a palavra “desculpa”, vinha sempre no bolso. Tudo era feito em cumplicidade, desde as quedas nas pistas, ao transporte das pesadas botas de ski. A rotina era saudável, e a sexta depois das pistas fecharem, obrigatória. A sede era saciada com um Sumol, e as dúvidas do quer que fosse, esclarecidas pelos giros e apresentáveis guias, que devido ao seu uniforme vistoso, se faziam ver ao longe. A neve não faltou e a temperatura encontrava-se no ponto. Desconhecidos tornaram-se conhecidos, conhecidos ficaram amigos e amigos agora, são como irmãos. Digam o que disserem, nada podia ser diferente. Desde companhia, ao local, ao desporto escolhido, e a selectiva escolha dos Dj’s, tudo se encontrava no ponto. É com a maior convicção do mundo que digo, que os melhores dias da minha vida foram isso mesmo. OS MELHORES. 


Andorra, Pas de la Casa 2012. Sumol Snowtrip.

terça-feira, janeiro 17

segunda-feira, janeiro 9

The true das true's

"Estou aqui para responder ao vosso texto e creio que estou a falar por todas nós, mulheres. nós não queremos um rapaz com um corpo definido que vá ao ginásio todos os dias, queremos sim um rapaz com coração. claro que pensamos na beleza mas a nossa definição de beleza pode ser, às vezes, diferente da vossa. queremos, acima de tudo, um amigo! alguém para assistir filmes connosco ao domingo chuvoso à tarde, queremos alguém para conversar e desabafar, alguém não só para beijar como também para abraçar. não precisamos de presentes todos os dias. gostamos de quando brincam com o nosso cabelo, é carinhoso. gostamos de quando se importam com um problema de alguém da nossa família ou de algum amigo nosso mesmo que não tenha nada a ver convosco, demonstra afecto. adoramos quando nos olham seriamente. não queremos ser tratadas como bonecas que vocês usam numa noite e deitam fora no dia seguinte. aliás, aprendam uma coisa: as meninas podem falar até de ficar por ficar, mas depois vão acabar por criar um sentimento. não as façam iludir-se se não vão querer nada delas depois. as mulheres também se divertem, precisam de estar com as amigas nem que seja para uma simples fofoca, ida às compras ou ao cinema, apenas querem falar das coisas de mulheres. temos ciúmes das vossas amigas porque somos inseguras, não é fácil ser tão segura como às vezes parecemos ser. temos medo que encontrem alguém melhor e nos troquem, já aconteceu pelo menos uma vez na vida de qualquer uma. gostamos de beijos inesperados, de quando nos apresentam aos vossos amigos e nos dizem 'é a minha namorada', gostamos que sintam ciúmes mas não exagerem, tudo o que é demais torna-se chato! é bom receber mensagens de madrugada com palavras sinceras, de preferência. quando dizemos que não precisam de nos pagar o almoço, o lanche ou o jantar, é vergonha, não se preocupem com isso. gostamos de quando tiram fotos connosco sem termos de pedir, gostamos de brincadeiras, nomes queridos e ainda mais de um beijo a meio de uma discussão, é perfeito. não devem falar da boca para fora a meio de uma discussão e muito menos arranjar outra para nos fazer ciúmes. quando não souberem o que dizer porque estamos tristes e a chorar, basta ficarem ali, ao pé de nós, abraçando-nos e sussurrando um 'eu importo-me contigo', podem ter a certeza que será o suficiente. sorriam, nós amamos sorrisos. gostamos do vosso jeito desleixado de vestir, não têm que comprar roupa nova cada vez que querem vir te connosco. gostamos de surpresas mas nada de muito exagerado nem muito caro. uma flor, uma música, tudo isso é o suficiente para sorrirmos o resto da semana. precisamos de atenção cada vez que falamos, não nos troquem pelos vossos amigos, vamos sentir que vos estamos a perder e isso irá fazer-nos sentir mal. levem-nos a festas, é bom sair! contem-nos a vossa vida, os vossos medos, os vossos sonhos, o vosso passado, tudo isso nos interessa. deixem-nos adormecer no vosso colo e vejam filmes românticos connosco mesmo que não gostem. não queremos que digam que estamos lindas quando não estamos. queremos sim, como disse lá em cima, um amigo, então, sinceridade. gostamos de andar de mão dada, é sinal que sentem orgulho em estar ao nosso lado. e, por último, mas não menos importante: não nos conquistem se não for vossa intenção cuidar de nós."

quinta-feira, janeiro 5

quarta-feira, janeiro 4

Necessidade de amar e ser amado

Todos nós conhecemos a necessidade de amar e ser amado. No entanto, quando esta necessidade se torna carência, há algo extra a ser alertado: estamos vulneráveis e desequilibrados.
A origem da carência afectiva encontra-se na nossa dificuldade para receber amor ou melhor, a dificuldade em admitir a existência de carência, nesse campo.. Fomos instintivamente diminuindo nosso estado de receptividade ao associar a experiência de receber amor a vivências de insuficiência, abandono ou de um controle excessivo. Se nos sentimos manipulados ao receber, presentes, elogios, carícias, incentivos, até mesmo amor, associamos a ideia de receber com o dever de retribuir algo além da nossa capacidade ou vontade pessoal. Quem não se lembra de advertências como: "Agora já és uma menina grande, tens de te comportar como tal" ou "se comeres a sopa toda, podes ir à feira".. Estas frases parecem inocentes, mas revelam os condicionamentos pelos quais passamos a aprender que receber, condiciona nosso modo de ser.
Com a intenção de nos proteger do excesso ou da falta de atenção diante das nossas necessidades de amarmos e sermos amados, fomos nos fechando, formando camadas protectoras contra os ataques diante à nossa vulnerabilidade. Este processo subtil e delicado tem um efeito bastante grave: ao estar mais atento no que estou a receber, do que aquilo que desejo, acabo por aprender, mesmo instintivamente, a dar mais atenção ao mundo exterior que às minhas próprias e reais necessidades.
A necessidade de ser amado faz parte de nosso instinto de sobre vivência, portanto é algo natural, enquanto seres que vivemos em sociedade. Mas na nossa sociedade materialista onde autonomia é sinonimo de maturidade, muitas vezes esta necessidade é vista como um sinal de imaturidade ou infantilidade.
Vamos esclarecer uma coisa: amar só se torna infantil quando se torna uma exigência unilateral: quando queremos apenas ser amados.
De forma inata, quando queremos algo "dos outros", deixamos de percebernos a nos próprios. Quando precisamos "do outro", passamos a controlá-lo. Então, ao invés de expressarmos "amor", passamos a cobrar, literalmente, por atenção. No lugar de dizer, um simples "adoro-te" ou até mesmo "amo-te", dizemos o que falta no outro para nos sentirmos amados.
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Quando um namorado se distancia, por razões alheias à sua namorada, por exemplo, senti mo nos abandonados. Então, no lugar de dizer: "Queria estar mais tempo contigo", dizemos: "Estás tão distante", ou "Estas tão diferente"...  ESTE, É NOSSO MODO DE ALTERAMOS O OUTRO DA NOSSA CARÊNCIA, MAS À DEFENSIVA. Não estamos a ser abertos, nem transparentes, pois detrás da nossa reclamação há um desejo de nos controlar-mos, para que seja do modo como nos queremos. Pressionado o outro, este acaba por perder a espontaneidade e afasta-se cada vez mais.
Quando nos tornamos reféns do comportamento alheio, deixamos de estar conectados ao nosso sentimento de amar e esperamos apenas ser amados. Em outras palavras, deixamos de perceber o que estamos a sentir em relação ao outro e apenas nos focamos ao que ele mostra sentir em relação a nos.
Há uma diferença entre expressar claramente o que se quer e cobrar indirectamente o que se necessita. No momento em que simplesmente expressamos o nosso desejo, desobrigamos o outro de actuar. Assim, ele já não se sente mais pressionado a mudar e torna-se naturalmente disposto a retomar a relação.
Ao perceber nossas verdadeiras necessidades, desejos e intenções, liberamos o outro da carga de adivinhar o que secreta e indirectamente desejamos. Easy !

Adapt, Maragrida Reis
 Bel Cesar